"CONHECE-TE A TI MESMO"

A frase acima estava gravada em uma das paredes do Templo de Apolo, em Delfos, onde se localizava o mais famoso oráculo da antiga Grécia. Muitos séculos depois de escrita, ela continua a ser um conselho fundamental - ainda mais nos tempos que correm. De fato, o autoconhecimento é uma ferramenta indispensável para a evolução que buscamos. É uma atividade complementar à prece, recomendada por Naradananda. Na prece, nos entregamos a um poder maior. No autoconhecimento, fazemos a parte que nos cabe. As duas práticas - uma mais receptiva e a outra mais ativa - se reforçam mutuamente.
Uma técnica poderosa de autoconhecimento consiste em, cada vez que nos percebemos agitados por uma sensação, um sentimento ou um pensamento, fazermos a nós mesmos as seguintes perguntas:

1ª - O QUE É ISSO?
(Responder a essa pergunta é dar um passo atrás e observar a sensação, sentimento ou pensamento sem sermos arrastados por seu poder de influência.)

2ª - DE ONDE ISSO VEM?
(Responder a essa pergunta é identificar que instância produziu o que está sendo percebido. Um pensamento aparentemente prudente, por exemplo, pode ser um produto do medo. Assim como um pensamento aparentemente ousado talvez reflita certa tendência autodestrutiva.)

3ª - EU SOU ISSO?
(Responder a essa pergunta é compreender se o que percebemos é parte inalienável de nós mesmos, devendo, portanto, ser conservado. Ou se é algo que podemos descartar.)

Depois desse autoexame, é bem provável que estejamos mais calmos. Então, poderemos nos perguntar : O que eu percebo agora? De onde vem isso? Eu sou isso? E fazer esas perguntas quantas vezes acharmos necessárias. Com a prática, nos tornaremos craques e aprenderemos a nos interrogar em meio às atividades do dia-a-dia - até mesmo durante uma conversa.

Estamos agora na era de re-encontrar a nós mesmos. É uma oportunidade de avanço. Não uma garantia, pois o que será alcançado pela humanidade depende do esforço de cada um.

Zane Curfman - estudioso da tradição espiritual andina.