Os 12 princípios da inteligência espiritual



“Ecologia interior” não é para místicos e esotéricos. Os palestrantes da primeira mesa do II Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade, que está sendo realizado em São Paulo, concordam que é preciso avançar nas questões sociais antes de se pensar em resolver os conflitos envolvendo meio ambiente. Respeito a diversidade, apego à arte e as coisas belas e postura individual voltada pela paz: esse foi o tom das falas, mas um eu voltado à conexão com o universo.

Viagem? Muito inspiradora, na fala da física e filósofa americana Danah Zohar. Formada pelo MIT – Massachusetts Institute of Technology, dá aulas sobre liderança em Oxford, na Inglaterra, e escreve livros sobre física quântica – alguns já publicados no Brasil (clique aqui para vê-los). Deu uma “aula” estimulante não sobre ecologia, mas sobre inteligência espiritual – tão necessária para que a as ações pelo meio ambiente encontrem eco em toda a sociedade.

“Inteligência espiritual tem a ver com o que eu sou, com os meus valores”, lembra a pensadora, que avisa: precisamos alimentar essa inteligência para motivar a cooperação – entre a família, a comunidade, os países. Só assim vamos encontrar soluções positivas para o planeta, e nos encontrar nessa busca também.

Acompanhe o que Danah expôs sobre os princípios da inteligência espiritual – e motive-se!

1.Tenha pensamentos positivos, sempre. Não pense como vítima das circusntâncias, pense que sofrer é uma oportunidade de ser forte. “A crise econômica atual” é uma oportunidade de pensar nossos valores”, lembra Danah.

2. Descubra quem você é. O que me faz levantar de manhã? Para que eu vivo, por o que daria minha vida? O que me motiva para fazer coisas todos os dias? Quem eu sou realmente? Comprar, trabalhar, sair com os amigos faz parte de nosso universo, mas o “ser” é mais do que isso. Quando eu digo “minha vida é minha oração”, significa saber que minha vida é um ´presente de Deus e que precisamos fazer a diferença nesse planeta.

3. Tenha humildade. Precisamos saber que o que fazemos parte de um sistema, e que precisamos prestar atenção nos outros, lembrando que existem diversos pontos-de-vista – não o seu, unicamente.

4. Viva a compaixão. A origem dessa palavra significa “sentir com”. Sentir a dor do outro como se fosse a sua dor. “Eu não somente cuido dos pobres, eu sou pobre. “O planeta é parte de mim - nascemos quando o Big Bang surgiu”. Lembre-se sempre: eu sinto que sou você, e que você sou eu.

5. Reveja seus valores. Precisamos pensar menos em “eu, mim” e mais em “nós, nossos”. E precisamos rever nossos valores para servir uns aos outros. Compo fazer isso? “Pergunte a você mesmo, qual é o melhor que você pode dar”.avisa a filósofa.

6. Viva o presente. Tire o peso do passado e das preocupações - e.viva o agora!

7. Estamos conectados, e o jeito que vivo minha vida afeta a vida do outro. “Se me sinto negativo, espalho essa negatividade para minhas relações, minha comunidade. Mas se me sinto esperançosa e que posso fazer melhor, espalho essa atitude para as outras pessoas”.

8. Responda a uma questão fundamental: sempre perguntar porquê! Nós nos fechamos a verdade se não questionamos.

9. Mude a sua mente, seus paradigmas, e coloque seus pontos-de-vista sob uma nova perspectiva. Isso é muito necessário no meio empresarial, destacou Danah. “Precisamos de uma revolução do pensamento também nas lideranças e na educação”. Educação significa memorização, imposição? Ou é ajudar as crianças a fazerem boas perguntas? “A mídia também precisa rever o seu papel e ajudar as pessoas a formarem consciência crítica.

10. Valorize seus princípios, mesmo que sejam impopulares. Entretanto, não seja arrogante de que está certo, mas questione-se. Escute os outros, mas veja o que você quer acreditar, para o que você quer lutar.

11. Celebre a diversidade. Isso não significa numa empresa, por exemplo, colocar uma mulher ou negro num cargo alto, mas construir um pensamento do que significa a diferença para você, e o que ela tem a te ensinar. Dizer “obrigada por ser diferente, por me fazer questionar a mim mesmo”.

12. Descubra a sua vocação, o seu propósito de vida e em como você pode fazer a a diferença. “Você não precisa ser o Gandhi ou o Barack Obama. Cozinhar um bolo pra sua família, um pai que vai brincar com seu filho, dando o seu melhor, é uma maneira de servir a humanidade com o melhor que temos”.

Para terminar, um recado aos educomunicadores e educadores em geral: “eu chamo a todos para a revolução não-violenta, onde as novas tecnologias podem mudar o mundo, sim, e que é preciso acreditar que você pode fazer a diferença”.

"CONHECE-TE A TI MESMO"

A frase acima estava gravada em uma das paredes do Templo de Apolo, em Delfos, onde se localizava o mais famoso oráculo da antiga Grécia. Muitos séculos depois de escrita, ela continua a ser um conselho fundamental - ainda mais nos tempos que correm. De fato, o autoconhecimento é uma ferramenta indispensável para a evolução que buscamos. É uma atividade complementar à prece, recomendada por Naradananda. Na prece, nos entregamos a um poder maior. No autoconhecimento, fazemos a parte que nos cabe. As duas práticas - uma mais receptiva e a outra mais ativa - se reforçam mutuamente.
Uma técnica poderosa de autoconhecimento consiste em, cada vez que nos percebemos agitados por uma sensação, um sentimento ou um pensamento, fazermos a nós mesmos as seguintes perguntas:

1ª - O QUE É ISSO?
(Responder a essa pergunta é dar um passo atrás e observar a sensação, sentimento ou pensamento sem sermos arrastados por seu poder de influência.)

2ª - DE ONDE ISSO VEM?
(Responder a essa pergunta é identificar que instância produziu o que está sendo percebido. Um pensamento aparentemente prudente, por exemplo, pode ser um produto do medo. Assim como um pensamento aparentemente ousado talvez reflita certa tendência autodestrutiva.)

3ª - EU SOU ISSO?
(Responder a essa pergunta é compreender se o que percebemos é parte inalienável de nós mesmos, devendo, portanto, ser conservado. Ou se é algo que podemos descartar.)

Depois desse autoexame, é bem provável que estejamos mais calmos. Então, poderemos nos perguntar : O que eu percebo agora? De onde vem isso? Eu sou isso? E fazer esas perguntas quantas vezes acharmos necessárias. Com a prática, nos tornaremos craques e aprenderemos a nos interrogar em meio às atividades do dia-a-dia - até mesmo durante uma conversa.

Estamos agora na era de re-encontrar a nós mesmos. É uma oportunidade de avanço. Não uma garantia, pois o que será alcançado pela humanidade depende do esforço de cada um.

Zane Curfman - estudioso da tradição espiritual andina.